domingo, 14 de dezembro de 2008

Entrevista: Makalé

Em março de 2009, aos 53 anos, Sidney Seno — o inesquecível Makalé — nos deixou, vítima de um derrame. O homem fascinante e de coragem assombrosa que abriu o peito na entrevista abaixo partiu precocemente, mas a sua impressionante lição de vida segue indelével. Poucas pessoas experimentaram extremos tão profundos: foi engraxate, estivador, figurante, viveu a noite sem limites e, aos 36 anos, viu o mundo apagar-se de repente em um trágico acidente automobilístico. Conheceu o fundo do poço, a revolta, a depressão e o desespero de quem pensou em desistir de tudo. Mas, como um verdadeiro guerreiro, decidiu renascer das próprias trevas. Transformou a escuridão dos olhos em uma usina de solidariedade, tornando-se uma liderança incansável na defesa dos deficientes visuais pela Associação de Cegos Louis Braille (ACLB), promovendo eventos beneficentes, arrecadando toneladas de alimentos e contagiando a todos com sua alegria e capacidade descomunal de fazer amigos. Makalé provou que a verdadeira visão vem da alma e da generosidade. Deixa uma saudade doída, o respeito eterno por sua resiliência e a honra imensa de termos eternizado a sua comovente travessia em nossas páginas.

O HOMEM QUE RENASCEU DAS TREVAS



Sidney Seno, Feijoada, Tião Macalé, Makalé. Engraxate, estivador, figurante, ator de cinema, protagonista de shows de sexo explícito, promotor de eventos humanitários. Portador de deficiência visual e ferrenho defensor da chamada Lei Seca, que determina a cassação da carteira de habilitação e a aplicação de multa aos motoristas flagrados excedendo o limite de 0,2 grama de álcool por litro de sangue. Paulista, gaúcho, pauliúcho. Esse é o entrevistado do mês do jornal Zona Sul nessa edição natalina. A conversa foi realizada na Praça da Alfândega, em Porto Alegre, lá no outro Rio Grande, o do Sul. Que a força que Makalé demonstrou quando despertou na cama de um hospital sem a visão sirva de lição para que nós possamos transformar 2009 em início de um novo tempo. Feliz Natal! (Roberto Homem)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Entrevista: Joaquim Campelo

O COLECIONADOR DE PALAVRAS, AMIGOS E AZULEJOS


Pouca gente em Natal sabe quem é Joaquim Campelo Marques. Porém, percentual elevadíssimo dos habitantes da cidade pelo menos uma vez na vida ouviu falar em Aurélio Buarque de Holanda, que virou sinônimo de dicionário. O professor Campelo foi braços e pernas do lexicógrafo. E José Sarney, quem não conhece? Campelo o assessorou no período em que o maranhense exerceu a Presidência da República. Da Editora Alhambra, criada por Campelo, talvez poucos lembrem. Mas poucos esquecem de autores publicados por este selo como Ivan Illich, Glauber Rocha, Mark Twain, Friedrich Nietzche, Gogol, Tolstoi e Otto Maria Carpeaux, que acaba de ter sua História da Literatura Ocidental reeditada por Campelo, agora pelo Conselho Editorial do Senado, do qual nosso entrevistado é vice-presidente. O jornalista Carlyle Madruga, já entrevistado pelo Zona Sul, me ajudou na condução dessa entrevista, realizada em Belém, no finalzinho de setembro. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Entrevista: Júnio Santos

AS ALEGRIAS E OS CAMINHOS TENEBROSOS DE JÚNIO



Desde que Júnio Santos trocou o RN pelo Ceará, só o vi duas vezes. Ambas em Mossoró. Na primeira delas, quase não nos reconhecemos. Mesmo assim, a alegria foi imensa. Nessa última, durante a Feira do Livro da cidade, não perdi a chance de entrevistá-lo. E foi ótimo perceber que ele continua em ótima forma. Durante a conversa, quando ele classificou o artista como “livro que anda”, fui obrigado a concordar de imediato, depois de ouvi-lo contar tantos fatos de sua vida. Júnio é mesmo um livro que anda, fala, conta, canta, interpreta, mostra e prende a atenção de qualquer um. Experimente, caro leitor, navegar pelas alegrias e também pelos caminhos tenebrosos do grande ator potiguar Júnio Santos. (Roberto Homem)


quinta-feira, 28 de agosto de 2008

ENTREVISTA: JOSÉ DUMONT

O HOMEM QUE NÃO VIROU SUCO



Em O homem que virou suco, José Dumont interpreta o poeta popular Deraldo, recém-chegado do Nordeste a São Paulo. Sobrevivendo de seus folhetos, ele é confundido com empregado de multinacional, também vivido por Dumont, que mata o patrão na solenidade em que foi premiado como operário-símbolo. Caçado pela polícia, Deraldo experimenta sina tão comum aos nordestinos que tentam a sorte na cidade grande: trabalhar na construção civil ou fazendo serviços domésticos e sofrer todo tipo de humilhação e violência. “É a história de todo nordestino: o cara que chega em São Paulo, trabalha, luta e acaba passando fome, virando suco de laranja”, explica Deraldo, no filme. 

quarta-feira, 23 de julho de 2008

ENTREVISTA: LOU GOMES E TAMIRES ALCÂNTARA

O CANTO QUE VEM DE MINAS




Das montanhas de Minas Gerais periodicamente brotam talentos que enriquecem a música brasileira. Daquele solo fértil foram exportados para o mundo artistas como Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges, Tadeu Franco e Toninho Horta, entre tantos. Mais recentemente, desaguaram dos rios de Minas para o país Vander Lee, Renato Vilaça, Érika Machado e Nélson Oliveira, este último radicado em Brasília. Infelizmente, não basta apenas talento para ter direito a um lugar ao sol. O Zona Sul, com orgulho, apresenta nesta edição os mais novos sons que ecoam das montanhas mineiras: Lou Gomes e Tamires Alcântara. Eles estão engatinhando ainda, procurando um atalho para concretizar o sonho comum: mostrar sua música a cada vez mais pessoas. Conheça um pouco destes dois novíssimos artistas que um dia poderão ocupar lugar de destaque na cena cultural brasileira.