segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

Entrevista: ABRAÃO BATISTA

NO MUNDO ENCANTADO DO CORDEL






Principal cordelista em atividade no país. Homem culto, dotado de inteligência aguçada, humanista escancarado, nacionalista empedernido e, sobretudo, um grande observador e contador de histórias. Abraão Batista é o presente de Natal que o Zona Sul trouxe para o seu leitor neste final de ano. A entrevista exclusiva, foi concedida em Belém do Pará.


Na última vez que utilizei o Google (endereço de busca na Internet) para pesquisar informações sobre Abraão Batista, encontrei 106 resultados. O primeiro deles - de um site do Graphicstudio - Institute for Research in Art, da Flórida, Estados Unidos - trata Abraão como “um dos mais famosos autores de cordel e um venerável artista do folclore nordestino brasileiro”. Em outra página, um release da Universidade de Colônia, Alemanha, anuncia a realização de uma exposição de artes plásticas, em 2001, na qual foram expostas xilogravuras de Abraão. Já a Istoé Gente dedica matéria sobre a utilização da contracapa dos cordéis de Abraão para a venda de espaço publicitário. No jornal O Mossoroense, o articulista Cid Augusto comunica que uma mesa redonda, com a participação de Abraão, debaterá o tema “Xilogravura na ilustração da literatura de cordel”. Homem importante da cultura popular, Abraão Batista participou recentemente da VIII Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém do Pará. Foi lá que o conheci. Ele procurava informações sobre o ex-presidente Juscelino Kubitschek, para servir como tema de um futuro cordel. Do bate-papo, surgiu a idéia da entrevista que você acompanha agora. (Roberto Homem)

quarta-feira, 17 de novembro de 2004

Entrevista: Rodger Rogério

FALANDO DA VIDA COM RODGER ROGÉRIO

Rodger Rogério, 60 anos completados em janeiro deste ano, é autor de importantes canções da
MPB como Retrato Marrom (com Fausto Nilo) e Ponta do Lápis (com Clodo Ferreira), ambas gravadas por Raimundo Fagner e Ney Matogrosso. Na virada dos anos 60 para os 70, ele e outros artistas - como Fagner, Belchior, Ednardo, Téti, Petrúcio Maia, Jorge Mello e Amelinha -dividiram-se entre Rio, Brasília e São Paulo para levar além-fronteira a música cearense.
Numa noite do início de setembro, enquanto muita música instrumental de primeira, muito bate-papo, bebida e comida rolavam no comitê de um candidato à Câmara Municipal de Fortaleza, eu falava da vida com Rodger Rogério. Cantor, compositor, professor de Física da Universidade Federal do Ceará (UFC), ator de teatro e de cinema, homem de rádio e, agora também, roteirista, Rodger, junto com Ednardo e Teti, participou do antológico disco Meu corpo, minha embalagem, todo gasto na viagem, gravado em 1973, e que ficou conhecido como Pessoal do Ceará. Foi através deste elepê, considerado por muitos o Sgt. Pepper’s cearense, que comecei a conhecer e a gostar do trabalho de Rodger. Sua música Falando da Vida (parceria com Dedé Evangelista), é minha preferida do elepê. (robertohomem@gmail.com)


quinta-feira, 30 de setembro de 2004

Entrevista: ADEMIR RIBEIRO

No dia 9 de agosto de 2012, aos 73 anos, Ademir Ribeiro calou sua inconfundível voz, em Natal. O radialista talentoso e figura marcante da nossa imprensa que compartilhou sua história na entrevista abaixo nos deixou, mas o eco de sua trajetória segue gravado na memória da comunicação potiguar. Conhecido com justiça como "a voz de ouro do rádio", Ademir marcou época nos microfones e nas páginas dos jornais, transformando notícias, crônicas e radionovelas em arte pura. Para além do profissional consagrado, guardo com imenso carinho as conversas que tínhamos nas mesas do Bar do Lourival. Era um prazer sem tamanho ouvir seus causos, ver seu entusiasmo ao carregar para todo canto o inseparável gravador e as fitas K7 com trechos de seus programas históricos, partilhando sua paixão pelo rádio com a generosidade dos grandes mestres. Perde-se um ícone da locução e um companheiro de boas prosas que fará sempre muita falta. Fica a saudade e o privilégio de termos deixado aqui registrado o seu depoimento. Saudades...

A VOZ DE OURO DO RÁDIO POTIGUAR



Ademir Ribeiro, um dos mais importantes nomes da história do rádio potiguar, é o entrevistado deste mês. Entre outros assuntos, ele fala sobre sua trajetória na Rádio Poti, lembra do programa Show da Manhã, comenta a respeito de religiosidade e de sua paixão pelo América Futebol Clube e fornece uma anti-receita para quem quiser preservar sua voz. Irreverente, brincalhão e bem humorado, ele recorda momentos marcantes de sua carreira.


Nascido em Natal, no bairro da Ribeira, no dia 2 de junho de 1939, Ademir Ribeiro sempre foi um homem de rádio. Dono de uma voz limpa, grave e marcante, ele escreveu um dos principais capítulos da história da radiofonia potiguar como apresentador do programa Show da Manhã, transmitido durante muitos anos pela Rádio Poti. Hoje aposentado, Ademir pode ser encontrado todas as manhãs no Bar de Lourival, na avenida Deodoro, em frente ao prédio do Diário de Natal - local o qual ele chama carinhosamente de “meu escritório”. Foi em “seu escritório” matinal que Ademir concedeu essa entrevista ao Zona Sul. Para minha honra, Nélson Siqueira, meu pai, conduziu comigo a conversa, regada a cachaça, whisky, cerveja e queijo de coalho, servidos por Nicodemos, o secretário Nicó. (Roberto Homem)


segunda-feira, 30 de agosto de 2004

Entrevista: ADEMILSON BRAGA

O POETA SABIÁ

Na segunda metade de julho, eu e o meu amigo Costa Júnior estivemos na Sorveteria Chapinha, no Parque das Orquídeas, para entrevistar o cantor carioca radicado em Natal Ademilson Braga. Saboreando sorvetes de diversos gostos, conversamos com ele sobre vários temas como religião, música, trabalho comunitário e sua paixão pela capital potiguar.

Os 37 anos parecem pouco tempo para comportar tanta história. Nascido em Campo Grande, no Rio de Janeiro, parente distante do grande cantor romântico Evaldo Braga, Ademilson Braga já foi quase tudo na vida. De pastor evangélico a auxiliar administrativo de uma prestadora de serviço do Projak, da Rede Globo, ele já trabalhou. Logo que chegou a Natal, costumava, junto com um amigo, cantar em ônibus. O percurso preferido era o Macaíba-Natal. Ao final da cantoria, rodava o chapéu para faturar algum. Quando morava no Rio, recebeu um convite inusitado para cantar. “Você canta em qualquer lugar?”, perguntou uma criança desconhecida. Depois de responder que sim, Ademilson Braga ficou imaginando onde seria o tal show. “Em um cabaré?”, arriscou... Não era. “É que meu pai faleceu e ele gostava muito de Nélson Gonçalves. Queria que você cantasse para ele no cemitério”. Ademilson foi, e nessa ocasião até dançou com a viúva do falecido. Cantor, compositor e percussionista, ele é o entrevistado do mês do Zona Sul. (Roberto Homem)

quarta-feira, 21 de julho de 2004

Entrevista: Alexandre Siqueira


“NATAL ESQUECE SUAS PRÓPRIAS RIQUEZAS CULTURAIS”

O Zona Sul entrevistou o cantor, compositor, instrumentista e professor de violão Alexandre Siqueira. Ele esteve em Brasília visitando dois irmãos. Em setembro, o artista se apresenta mais uma vez no Seis e Meia, no Teatro Alberto Maranhão. Em suas duas primeiras participações no projeto, ele foi a atração local dos shows de Moraes Moreira e Renato Braz. Conheça um pouco mais desse que é um dos principais talentos da nova geração de músicos que ocupam a cena cultural potiguar.

Também sou Siqueira. Mas não conhecia Alexandre. Sequer sei se somos parentes. Mas uma coisa descobri: ele é um dos grandes talentos da música potiguar, mesmo tendo nascido em Recife, em 1971. Apesar do que diz a certidão de nascimento, como negar a naturalidade papa-jerimum a um cidadão que trocou a capital pernambucana por Natal aos dois meses de idade? Alexandre esteve em Brasília em meados de junho. A conversa, cujos melhores momentos você acompanha a seguir, foi realizada em uma noite fria, no bar de Chico, no Clube da Imprensa. O jornalista Átila Pessoa (ex-TV Cabugi) deu uma canja ao Zona Sul ajudando nas perguntas. Além de assisti-lo tocar algumas composições logo após o bate-papo, repeti a experiência na noite seguinte, quando Alexandre apresentou-se no bar Nosso Mar, na Asa Norte de Brasília. Primeiro ele tocou sozinho, depois foi acompanhado pelo músico cearense Marcílio Homem. (Também sou Homem e, da mesma forma, ainda não descobri se eu e Marcílio somos primos). (Roberto Homem)

terça-feira, 15 de junho de 2004

Entrevista: Ceumar

A RENOVAÇÃO DA BOA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

A mineira de Itanhandu, Ceumar - que está entre as três maiores revelações da música brasileira nos últimos 10 anos (junto com Roberta Sá e Vanessa da Mata) - é o presente que o Zona Sul reservou para seus leitores este mês. Depois de lançar os CDs Dindinha e Sempre Viva!, ela foi uma das convidadas do músico Gereba para participar do disco que está sendo lançado com composições da potiguar Dona Militana.
Foi perambulando por sites de venda de CDs na Internet que ouvi falar em Ceumar pela primeira vez. Eu procurava novidades para incorporar à minha coleção de discos. Deparei-me com Dindinha, produção de Zeca Baleiro, gravado em 1999. Algumas faixas estavam disponíveis para uma pequena audição de 30 segundos. Bastou ouvir a faixa-título, do próprio Zeca, e uma regravação de Galope Rasante, autoria de Zé Ramalho, para tomar a decisão de incorporar a preciosidade à minha lista de compras. Quando recebi a encomenda, tive a certeza de ter feito um excelente negócio. Além das duas músicas já citadas, fiquei impressionado com a delicadeza de Cantiga (Zeca Baleiro), a atualidade de Maldito Costume (Sinhô), a nova roupagem dada a Boi de Haxixe (Zeca Baleiro) e ao tom acústico emprestado a Let it Grow (M. Dunford e B. Thatcher), antigo sucesso do grupo Renaissence. Depois disso, ela esteve em Brasília algumas vezes, sempre com casa lotada e realizando shows imperdíveis. Na última, trazida pelo meu amigo Glauco Barreto (empresário de shows de artistas que gosta), marcamos um sarau do qual ela participou junto com outros ilustres - como o compositor Clodo Ferreira e o guitarrista Marco Nabuco (ex-integrante da banda de Ednardo) - e desconhecidos - grupo do qual faço parte. Daí surgiu a idéia dessa entrevista para o Zona Sul. (robertohomem@gmail.com)

domingo, 30 de maio de 2004

Entrevista: PARAHYBA


A ARTE E A VIDA DO POTIGUAR PARAHYBA

O Zona Sul entrevistou, em Brasília, um cantor potiguar nascido em São João do Sabugi que há vários anos faz sucesso no Ceará. Aluízio Medeiros, ou melhor, Parahyba, é o entrevistado do mês. Há alguns anos ele teve a composição “Voar Sem Fim” escolhida como a melhor música da década pela Fundação Demócrito Rocha, dona do jornal O Povo, em Fortaleza. Na noite de uma segunda-feira de muita chuva, Parahyba conversou comigo durante algumas horas.

O compositor e cantor Parahyba, 45, já soma mais de 20 anos de carreira artística. Ano passado ele lançou seu primeiro CD solo, “Arte e Vida Parahyba”, com arranjos, violões, produção e direção geral de Manassés. O disco traz uma retrospectiva do trabalho de Parahyba e inclui antigas e novas canções. O artista esteve em Brasília para algumas apresentações. Foi durante esta visita à capital federal que o Zona Sul descobriu um pouco da história desse potiguar integrante da história cultural do Ceará. O resultado da conversa você confere a seguir. (Roberto Homem)

segunda-feira, 5 de abril de 2004

Entrevista: JORGE FREDERICO

O MASSACRE DA PACHECO FERNANDES


O baiano Jorge Frederico é jornalista cinqüentão radicado em Brasília há muito tempo. Intelectual, humanista e homem de esquerda, ele convive há anos com um sonho: quer ver esclarecido o episódio ocorrido durante a construção de Brasília que ficou conhecido como o massacre da Pacheco Fernandes. A versão oficial é a de que um operário morreu e alguns ficaram feridos. A história que Jorge conta, embasada em diversos depoimentos que recolheu ao longo dos anos, é diferente. Este é o tema da entrevista que o Zona Sul trás para seus leitores, com exclusividade.

7 de fevereiro de 1959. Sábado de Carnaval. Canteiro de obras onde se construía Brasília, a futura capital do Brasil. Alojamento da construtora Pacheco Fernandes. A Guarda Especial de Brasília (GEB) foi chamada para debelar uma revolta dos trabalhadores. O motivo do protesto foi que a comida servida naquele dia estaria estragada. Depois do confronto envolvendo policiais e operários, um morto e alguns feridos. Esta é a versão oficial.

terça-feira, 30 de março de 2004

Perfil: CÁTIA DE FRANÇA

VINTE PALAVRAS GIRANDO AO REDOR DE CÁTIA DE FRANÇA

A cantora, compositora e multi-instrumentista Cátia de França - que agora também está se arriscando no mundo da literatura de cordel e das artes plásticas - comemorou 33 anos de carreira artística em novembro do ano passado. Ela foi condecorada com uma medalha pela Assembléia Legislativa da Paraíba. O Zona Sul pretendia homenagear Cátia de França com uma entrevista, nessa edição de março. Os entendimentos começaram a ser mantidos ainda em dezembro do ano passado. A conversa se daria em Natal ou Muriú. O tempo não audou. Na segunda quinzena de fevereiro, durante quatro dias, telefonemas pipocaram, via Embratel, interligando Brasília a João Pessoa. Desencontros impediram uma conversa mais ampla, que fica adiada para daqui ap ouco. Mas, para que o leitor potiguar não fique alheio às novidades, as notícias mais urgentes chegam agora, junto com esse perfil. (Roberto Homem)

domingo, 22 de fevereiro de 2004

Entrevista: JUSTINO NETO

No dia 10 de julho de 2016, Justino Neto nos deixou. O homem extraordinário, generoso e talentoso que contou sua história na entrevista abaixo partiu, mas sua lembrança permanece viva no coração de quem teve o privilégio de conviver com ele. Fomos companheiros de trabalho na assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação, em Natal, onde pude testemunhar diariamente o que Justino tinha de mais marcante: era a gentileza e a alegria em pessoa, sempre com um sorriso largo e acolhedor no rosto, desarmando qualquer dificuldade com seu bom humor e profissionalismo. Mais tarde, os caminhos nos afastaram geograficamente — ele se mudou para Mossoró e eu vim morar em Brasília. A última vez em que nos encontramos, durante uma passagem minha a trabalho por Mossoró, visitei-o na redação do jornal onde atuava. A saúde já começava a lhe cobrar um preço injusto, roubando-lhe aos poucos o viço e a memória que tanto o caracterizavam. Mas é a sua essência luminosa, o colega leal e o amigo fraterno que guardo para sempre. Mais um grande parceiro de vida e de profissão que se foi e deixa uma saudade imensa...

O HOMEM QUE NÃO SE TROCA POR NINGUÉM

Em uma noite quente do começo de janeiro, eu e os jornalistas Costa Júnior e Carlos Roberto Fontes conversamos com o repórter esportivo Justino Neto, hoje assessor de imprensa do ABC Futebol Clube. O calor só foi amenizado pela cerveja gelada e pela brisa do mar de Ponta Negra. Justino é um grande amigo que tenho desde a época em que trabalhei na assessoria de imprensa da Secretaria da Educação do Rio Grande do Norte. Foi um prazer e uma honra descobrir um pouco mais de sua vida nesse papo que rolou no restaurante Veleiros. (Roberto Homem)


quinta-feira, 29 de janeiro de 2004

Entrevista: JOÃO CLÁUDIO MORENO

O FAZEDOR DE ANARQUIA


Segunda metade dos anos 80. Depois de viajar, de ônibus, 8 horas para Fortaleza e outras 10
para Teresina - visando participar do Encontro Regional de Estudantes de Comunicação Social (Erecon) - logo no primeiro dia, no alojamento do centro de treinamento da Emater da capital piauiense, fui apresentado a João Cláudio. Estudante de jornalismo e padre. Foi o que me contaram. Trajado de padre à paisana, com direito a colarinho clerical e todo aquele palavreado peculiar dos religiosos, não pude deixar de acreditar. Aliás, somente alguns anos após fiquei sabendo que, de padre, João Cláudio tinha apenas o talento para imitá-los. No encerramento daquele encontro, João apresentou-se cantando uma canção que, na época, fazia sucesso num duo de Luiz Gonzaga com Raimundo Fagner. Rogério Cadengue, professor de jornalismo da UFRN – que hoje repousa no cemitério de Ponta Negra – na época era assessor de imprensa do então ministro da Administração Aluízio Alves. Morando em Brasília, há alguns sem visitar o Nordeste, Cadengue chorou emocionado ao ouvir a interpretação de João Cláudio. Ele conseguiu imitar com perfeição tanto Fagner quanto Gonzagão. Alguns anos depois, João Cláudio, já com o sobrenome Moreno incorporado, engrossou a trupe de Chico Anysio. Um dos seus personagens mais conhecidos foi Caretano Zeloso. Como Caretano, João Cláudio contracenou com Chico Anysio, que fazia o papel de Zelberto Zel. É esse piauiense de Piripiri o nosso entrevistado do mês. Anjo? Demônio? Padre? Pai-de-santo? Ateu? Eu não saberia defini-lo de uma outra forma que não fosse: gênio do humor. (Roberto Homem)