No dia 16 de julho de 2024, aos 72 anos, Clodo Ferreira descansou em Brasília. O compositor extraordinário, cantor de timbre inconfundível e poeta de mão cheia que compartilhou sua história na entrevista abaixo nos deixou, mas sua obra monumental e comovente permanece entre nós. Muito antes de nos conhecermos pessoalmente, eu já era um fã ardoroso de suas canções, lá nos anos 80 e 90, em Natal. Quando vim morar em Brasília, a vida me deu o privilégio de não apenas me aproximar do ídolo, mas de transformá-lo em um amigo querido. Moramos perto durante uma época, tínhamos afinidades de sobra, frequentávamos a casa um do outro e compartilhávamos conversas regadas a música e cumplicidade. Autor de clássicos que moldaram a alma da MPB — em parcerias memoráveis e no histórico trio com os irmãos Climério e Clésio —, Clodo era uma usina de sensibilidade e gentileza. Sua partida abre um vazio imenso e uma saudade doída, mas suas melodias e versos continuam a iluminar a todos nós. Faz muita falta...
REVELAÇÃO NA PONTA DO LÁPIS
O cantor, compositor, professor e publicitário Clodo Ferreira ocupa um espaço importante na música

brasileira desde meados da década de 1970. Tanto integrando o lendário trio Clodo, Climério e Clésio quanto em carreira solo, ele é responsável pela autoria de várias canções que estão gravadas na memória de sucessivas gerações, como Cebola Cortada (Petrúcio Maia e Clodo), Corda de Aço (Fagner e Clodo), Ave Coração (Clodo e Zeca Bahia), Revelação (Clodo e Clésio Ferreira) e Ponta do Lápis (
Rodger Rogério e Clodo). Apesar de tanto tempo na estrada, Clodo nunca esteve em Natal. Ele chega agora pela primeira vez nas páginas do Zona Sul. A nossa torcida é que, em breve, ele também possa estar fisicamente para mostrar seu trabalho aos potiguares e conhecer o que o Rio Grande do Norte tem de melhor (Roberto Homem)