O HOMERO DA PARAÍBA

Não foi tarefa fácil convencer Glauco Porto Barreto a conceder esta entrevista ao Zona Sul. Seria timidez? Difícil dizer. Quem, nesse mundo, pode afirmar alguma coisa, quando o assunto é Glauco? O jornalista, cantor e compositor Nelson Oliveira, por exemplo, classifica este paraibano de Catolé do Rocha de "O Homero da Paraíba". Sim, o leitor do Zona Sul não está enganado: Homero da Paraíba. Glauco não concorda. Nelson, porém, chama a atenção para o caráter homérico dos adjetivos e dos apostos, além da intrincada teia de relações entre pessoas, que é típica do linguajar e das mensagens de Glauco. Vejam se esse trecho de e-mail não lembra o lendário aedo grego contando as peripécias do divo e astucioso Odisseu: "...gostei tanto do CD, que presenteei o amigo Roberto Homem e Adauto, que é casado com Noélia (aquela homenageada na música Nossa Senhora do Cerrado), e é amigo de Rubi, além de meu amigo percussionista Paulão e da esposa dele, que é irmã de Noélia, etc, etc...".
Para quem não quer se dar ao trabalho de vagar pela Odisséia, talvez a leitura dessa entrevista, da qual também participou Nelson, possa ajudar a entender a comparação. De todo modo, o leitor deve estar se perguntando: se foi difícil para Glauco aceitar o nosso convite, o que o motivou a proferir o "sim"? Se está certa a teoria de Nelson, por ser homérico (grandioso, enorme e extraordinário, segundo o dicionário Houaiss), Glauco topou porque soube que a conversa seria transmitida ao vivo para o mundo inteiro pela Internet. Com Glauco, o Zona Sul inaugurou em um sábado do final de fevereiro as entrevistas ao vivo pelo site
http://www.myspace.com/robertohomem Mas, vamos ao que interessa, vamos saber um pouco mais do violonista e ferrenho crítico de tudo o que classifica como "música ruim". (Roberto Homem)