No dia 6 de março de 2021, aos 76 anos, Roosevelt Pinheiro descansou em Brasília. O fotógrafo de talento ímpar e alma generosa que compartilhou sua história na entrevista abaixo nos deixou, mas a força do seu trabalho segue gravada na história visual do Brasil. Tive a honra e a alegria de trabalhar ao lado de Roosevelt na Agência Senado, onde pude testemunhar não apenas a competência de um dos repórteres fotográficos mais experientes e respeitados do país — com passagens marcantes pela Agência Brasil e coberturas históricas do poder —, mas principalmente a sua extraordinária qualidade humana. Era um sujeito sempre bem-humorado, brincalhão, que transformava o corre-corre da profissão em um ambiente mais leve e acolhedor com sua simpatia contagiante. Um grande profissional e um amigo querido, cuja energia vibrante e generosidade farão sempre muita falta. Fica a saudade sincera e a homenagem a esse mestre das lentes.
UM ÍNDIO NO PALÁCIO DO PLANALTO

O índio velho... Ops, apaga tudo, esquece. Nesses tempos de politicamente correto, melhor não vacilar. Comecemos de novo. O silvícola da melhor idade parece ter lentes Carl Zeiss nos olhos. Pois somente dessa forma ele consegue fazer com que pareça ser fácil encontrar o melhor ângulo, medir a iluminação, calcular a velocidade e disparar no momento exato para capturar o instantâneo que será reproduzido nos principais jornais do país, em suas edições do dia seguinte. Roosevelt Pinheiro da Silva nasceu na velha Manaus de 1945. Enquanto a Segunda Guerra Mundial terminava, ele começava sua própria luta. E pode-se constatar que ele venceu. Hoje ele tem entre suas responsabilidades cobrir dois dos principais centros do poder do país: a Presidência da República e o Senado Federal. Nas manhãs, Luiz Inácio Lula da Silva é o principal alvo dos seus cliques. No período da tarde, como se estivesse portando uma metralhadora giratória, ele vai mirando sua câmera em gente como Mão Santa, Patrícia Saboya, José Agripino, Garibaldi Filho, Rosalba Ciarlini, Renan Calheiros, Aloízio Mercadante e Arthur Virgílio, entre outros, além de José Sarney, Fernando Collor de Mello. Aliás, Sarney e Collor, quando presidentes do Brasil, também estiveram sob a mira de Roosevelt . Mas, como diria o publicitário presidencial: deixa Roosevelt falar! (Roberto Homem)