quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Entrevista: Cortez

No dia 21 de setembro de 2021, aos 84 anos, José Xavier Cortez nos deixou, em São Paulo. O fundador da Cortez Editora e uma das personalidades mais admiráveis do mercado editorial brasileiro compartilhou sua trajetória extraordinária na entrevista abaixo, deixando um legado inestimável para a educação, o pensamento crítico e a cultura do país. Nascido em Currais Novos, no sertão potiguar, Cortez viveu uma vida de cinema: foi lavrador, seminarista, marinheiro anistiado após a perseguição política durante o golpe de 1964, lavador de carros e livreiro, até transformar sua paixão pelos livros e pelas causas sociais em uma das editoras mais importantes e respeitadas do Brasil. Homem generoso, acolhedor e de convicções firmes, ele nunca esqueceu suas raízes e sempre dedicou sua energia à democratização do conhecimento e à valorização dos autores nacionais. Entrevistá-lo foi uma honra sem tamanho e uma verdadeira aula de dignidade e resiliência. Sua partida abre um vazio imenso no Rio Grande do Norte e em todo o país. Faz muita falta...


O sertanejo que ganhou o mundo com as letras



É comum ouvir dizer que a história de alguém daria um livro. A de José Xavier Cortez rendeu muito mais: uma biografia, um documentário em vídeo e um livro infantil. Sua vida não foi fácil. Ainda menino no sítio dos pais, em Currais Novos, ele ajudou a família a tirar da agricultura o sustento. Estudou nas horas de descanso. Maior de idade, deixou a terra natal para buscar um futuro melhor para si e para os seus. Entrou na Marinha, foi expulso de lá após o golpe de 64. Morou em Natal, Recife e Rio de Janeiro. Em São Paulo, foi lavador de carros em um estacionamento. Nessa condição passou no vestibular de economia, da PUC. Vendeu livros na faculdade. Editou teses de mestrado e pós-graduação. Hoje Cortez é reverenciado no meio intelectual brasileiro. Sua editora completou 30 anos no primeiro semestre. A efeméride serviu como mote para relembrar a história desse potiguar que, apesar de ter ganho o mundo, nunca deixou de ter seus pés fincados no sertão do Rio Grande do Norte. (robertohomem@gmail.com) 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Entrevista: Noélia Ribeiro

A MUSA DO LIGA TRIPA




A pernambucana Noélia Maria Ribeiro da Silva nasceu emRecife, mas saiu de lá aos três anos de idade. Depois de um período no Rio de Janeiro, fixou-se em Brasília. Foi protagonista – junto com os poetas Nicolas Behr e Paulo Tovar, com o artista Renato Russo e com a turma do grupo Liga Tripa – da cena cultural da capital federal. No final do ano passado lançou o livro “Atarantada”, reunindo poemas inéditos e alguns revisitados. Paralelo à produção literária, é testemunha ocular da história do Brasil atuando como taquígrafa da Câmara dos Deputados. Para entrevistar Noélia, o Zona Sul contou com a colaboração dos músicos Glauco Porto (violão) e Paulão (percussão) e da cantora Fátima. Não fosse a reunião marcada para esse bate papo, poderia ter sido organizado um ótimo show. Em tempo: Fátima é irmã de Noélia e mulher de Paulão. (robertohomem@gmail.com)