quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Entrevista: ELVIRA ZANELLA

ELVIRA QUER PERDOAR SEUS PECADOS





Ela diz que é a Redentora Suprema da Criação, o Senhor, o Criador, o Cabeça e o Primeiro. Também se considera a Mãe do Céu e afirma que, como Nossa Senhora da Igreja Católica, seu reino é sempre. Quando a conheci, ela se apresentou como bastante procuradora da Organização das Nações Unidas. Acima de tudo, Elvira Mariza Zanella tem muito para contar. Seria ela uma Embaixatriz gaúcha? Confira e se surpreenda com os melhores momentos do bate papo travado em uma tarde morna, sob as árvores da Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre. (Roberto Homem)




ZONA SUL – Como é seu nome mesmo?
ELVIRA – Elvira Mariza Zanella, embora o hino do Brasil seja “Ouviram do Ipiranga”. Elvira, com L. Em hebraico, El significa Deus e senhor. Sou filha verdadeira do Pércio Morais Camargo. Fui criada pelo Azir Zanella e por Paulina da Silva Becker Zanella. Nasci em Porto Alegre, a nove de outubro de 1958. Quando pequena, quis ser santa. Quis ser freira, na adolescência, mas minha mãe não deixou. Tornei-me mórmon, fiz missão no Rio de Janeiro, voltei para Porto Alegre, me casei, tive filhos, trabalhei, fiz faculdade...

ZONA SUL – Vamos mais devagar. Você disse que desde pequena sentiu vontade de ser santa...
ELVIRA – Eu tinha esse sentimento dentro de mim. Queria fazer as obras que Cristo fez: queria curar as pessoas, levantar os mortos, expulsar os demônios, levantar o mar, acalmar a tempestade...

ZONA SUL – Com qual idade?
ELVIRA – Ah, desde que eu me dei por conta. Minha mãe ia me procurar, me achava ajoelhada, com um terço na mão, véu na cabeça - daqueles de renda de antigamente - numa área que tinha um caramanchão de rosas brancas. Eu entrava ali e ficava fazendo minhas orações. Quando ela chegava, perguntava o que eu estava fazendo. Eu respondia que estava orando, falando com Deus e Nossa Senhora.

ZONA SUL – Como sua mãe reagia?
ELVIRA – Ela estranhava, principalmente porque eu tirava o Jesus da cruz. Ela dizia: “você estragou o meu terço”. Eu respondia que Jesus não tinha morrido, explicava que ele estava vivo, e não na cruz. Eu tirava todas as imagens de Jesus da cruz. Eles eram pregadinhos, não eram como hoje, soldados, mas pregados com preguinhos. Eu tirava o Jesus da cruz e ela não gostava, não entendia que eu o via vivo, e não morto.

ZONA SUL – E as colegas de colégio sabiam disso?
ELVIRA – Eu lembro de ter falado pra uma amiga que nasceu no mesmo dia que eu. Contei a ela que queria ser santa. Mas essa colega disse umas coisas que eu não gostei. Mesmo assim, quando me batizei na igreja mórmon, a convidei para se batizar e assistir a uma palestra, mas ela não quis seguir o caminho.

ZONA SUL – Isso com qual idade?
ELVIRA – Me batizei na igreja mórmon com 18 anos. Ouvi a mensagem com 17. “Nasci católica, morri católica” era o lema lá de casa. Tentei converter o pai e a mãe e ele disse isso. A mãe disse que se o pai fosse ela iria. Ele não quis ir.

ZONA SUL – Como você descobriu a igreja mórmon?
ELVIRA – Como minha mãe não me deixou ser santa nem freira, comecei a me questionar, a buscar dentro de mim as respostas que eu não tinha. Queria saber quem eu era, por que estava ali, qual a minha missão divina... Eu não tinha essas respostas. Um dia, dois missionários mórmons bateram lá em casa. Acho que eu tinha entre 12 e 15 anos. Eles queriam passar uma mensagem, mas minha mãe não os deixou entrar. Lembro de eles terem dito assim: que a igreja de Jesus Cristo foi perdida na terra. Eu então quis saber: perdida como? Mas não tinha clima pra perguntar. Então busquei na Bíblia da minha tia, que morava ao lado, a resposta. Li toda a Bíblia, de capa a capa, e aprendi muitas coisas. Como foi a igreja de Cristo, qual a missão de Cristo, descobri que os santos seriam chamados para Sião, nos últimos dias. Então eu orava, pedindo a Deus que me chamasse para Sião. Pelo que eu tinha entendido, os israelitas é quem seriam chamados, e eu não sabia que eu era israelita. Eu orava: Senhor, mesmo eu não sendo israelita, o Senhor me chame para ir para Sião. Só que vim descobrir agora que eu sou de Israel, por conta de minha tataravó. Minha mãe não sabia.

ZONA SUL – Você falou que colocava o véu, falava com Jesus e Nossa Senhora... Você era ouvida ou só falava?
ELVIRA – Não tenho muita lembrança, porque houve épocas da minha vida que foram apagadas. Eu não sabia por que, mas de 2000 para cá, quando me preparei para a minha missão divina, fui remida pelo Senhor. Isto significa que passei por uma lembrança de tudo o que aconteceu na minha vida, perdoei às pessoas a quem tinha que perdoar e pedi perdão aos que tinha que pedir perdão. Isso foi necessário para que certas cenas da minha vida fossem apagadas, para que eu pudesse ser submissa na mão do Senhor. Nesse processo descobri coisas que eu não sabia, já que tinham sido apagadas da minha vida. Por exemplo: fui muito martirizada, fui espancada e fui jogada no rio Guaíba, quando nasci. Provavelmente pela minha mãe verdadeira. Fiquei três meses na guarda de alguém. Depois me entregaram para o Azir e a Paulina. Meu pai verdadeiro, o Pércio, quis me conhecer quando eu tinha 24 anos. Ele pediu que eu não culpasse minha mãe pelo que tinha acontecido. Fiquei sem saber completamente o que estava acontecendo. Depois disso o vi umas nove vezes. Em outras conversamos por telefone.

ZONA SUL – Qual a sua escolaridade?
ELVIRA – Fiz o primário na Escola Nossa Senhora do Brasil, no bairro Partenon, em Porto Alegre. Estudei um ano na Escola Estadual Oscar Tollens, por um motivo que desconheço. Estudei o ginásio na Escola São José do Murialdo. Fiz o científico no Colégio Champagnat Marista, da PUC (Pontifícia Universidade Católica). Depois fiz vestibular na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na PUC. Passei nos dois. Na UFRGS, fui aprovada para Ciências, e na PUC, pra Matemática. Minha primeira opção era Engenharia Eletrônica, a segunda era Física e a terceira Matemática. Tinha uma quarta opção que era Processamento de Dados. Eu queria ser cientista, desenvolver o resto da teoria de Einstein, da Teoria do Tempo.

ZONA SUL – Você concluiu algum curso superior?
ELVIRA – Sim, me formei em 1993, com muita dificuldade, porque eu parei para ir pra missão. Fui missionária mórmon no Rio de Janeiro. Fiz missão no Rio e voltei. Trabalhei, fiz dez concursos públicos. Passei no Ministério da Agricultura, fui lotada no Ministério do Trabalho. Eu trabalhava de dia, só podia estudar à noite, só podia pagar uma cadeira. Isso me levou a deixar passar o tempo. Casei, morei em São Paulo quatro anos. Fiz prova para transferir o curso para a USP (Universidade de São Paulo). Mas como morava longe da faculdade - eu tinha que pegar um ônibus, um trem e mais um ônibus - resolvi desistir e ficar em casa. Quando voltei a Porto Alegre, em 1990, estava grávida, e não pude estudar. Consegui me formar em 1993, grávida de novo.

ZONA SUL – Como foi o tempo em que você esteve na missão mórmon, no Rio?
ELVIRA – As missionárias são divididas por área ou região, de duas em duas. Nossa missão é visitar as pessoas, levá-las à igreja, convidá-las para serem batizadas, ensiná-las que o objetivo é sua purificação. Uma pessoa chega, digamos, aos 50 anos, e constata que fez muita coisa errada na vida. Sente vontade de nascer de novo, de ter uma nova chance. O batismo é essa nova chance. Uma nova vida para a pessoa corrigir aquilo que ela viu que não estava certo. Era essa a chance que nós estávamos dando pras pessoas. Não queríamos tirar das religiões antigas, mas dar-lhes uma nova chance.

ZONA SUL – Quais as principais características da religião mórmon?
ELVIRA – Joseph Smith, nos Estados Unidos, não foi batizado em nenhuma igreja até os 14 anos. Ele orando, lendo a Bíblia, tinha questões, como eu falei que tinha também. Ele orou buscando a Deus, para saber qual igreja era a verdadeira. Havia no condado onde ele morava muita discussão religiosa, muita briga. Igual à que existe hoje entre partidos políticos. Cada religião dizia que tinha a verdade. Tinha briga de pegar em armas e lutarem uns contra os outros. Joseph Smith resolveu buscar a Deus e, depois de orar, ele recebeu a revelação de ver dois personagens dentro de uma coluna de luz.

ZONA SUL – E o que aconteceu depois?
ELVIRA – Aquela visão diz para ele que no momento nenhuma igreja da terra tinha a plenitude da verdade. “Mas através de ti vou restaurar à terra este conhecimento”. Então, Joseph Smith passou a se preparar. Depois de anos, ele recebeu a inspiração de ir a um determinado lugar. Lá ele encontrou um livro escrito em placas de ouro, escondido na terra. Ele traduziu o livro pelo nome e poder de Deus. Esse é o Livro de Mórmon. Contém a história do povo aqui na América. O livro abrange um período grande, mas ele só traduziu mil anos: de 600 anos antes de Cristo a 400 depois de Cristo. Conta histórias do povo, histórias que estão se realizando de novo comigo.

ZONA SUL – O livro fala em você?
ELVIRA - Ele fala que nessa terra só virá um rei, que é o Santo Messias, ou o Cristo-Rei, que eu lhe disse que sou eu: Elvira Mariza Zanella. Tenho a missão divina de restaurar todas as coisas que não foram restauradas na terra. Mas não nego as outras religiões, só digo que elas estavam sem um orientador espiritual que conhecesse a plenitude da verdade, que pudesse explicar toda a religião cientificamente, como eu posso. Me consagrei para redimir a humanidade, para estabelecer o reino de Deus na terra e no céu. Mas isso é mais adiante, você quer saber mais coisas do início da minha vida, não é?

ZONA SUL – Isso. Você deixou a missão e voltou para Porto Alegre...
ELVIRA – O costume atual é que os homens fiquem dois anos na missão e as mulheres um ano e meio. Mas eu mudei isso. Eu disse que a pessoa deve ir e ficar na missão até encontrar a alma gêmea, para casar com a pessoa certa. Mas o presidente da missão, sem saber, me deu as passagens para eu voltar para Porto Alegre, embora eu houvesse dito que queria ficar na missão. A minha benção patriarcal disse que eu teria uma grande obra para realizar, uma obra maravilhosa e um assombro. Disse que vou curar as pessoas, reunir as famílias separadas, e que serei lembrada até as gerações futuras como símbolo de retidão, capacidade e bondade. Também disse que eu teria o poder de manipular os poderes do céu e da terra, que através de mim muita coisa ia ser feita aqui na terra. Que se eu fosse leal, fiel e obediente, as manchas do mundo cairiam sobre mim, porque eu me consagrei para redimir a humanidade. Eu tenho que tomar os pecados do mundo pra compreender o mundo, para ajudar a acabar com a ignorância, as trevas, a pobreza, a doença, a miséria e a fome, até erradicar a morte do mundo.

ZONA SUL – E como foi sua volta pra Porto Alegre?
ELVIRA – A minha mãe disse pra eles: “se não mandarem ela de volta, eu chamo a polícia”. Então eles me mandaram de volta, embora eu não quisesse.

ZONA SUL – Você casou depois disso?
ELVIRA – Vim, em 1982, para Porto Alegre. Continuei estudando. Trabalhei em alguns órgãos públicos. Do Ministério do Trabalho, fui para a Central Sul, depois para a Fecotrigo (Federação das Cooperativas de Trigo e Soja do Rio Grande do Sul), e para a Pilar Corretora, que eram órgãos estaduais. Fiz um concurso pra prefeitura e fui para o Hospital de Pronto-Socorro (HPS), na Secretaria da Saúde, contratada como estatutária. A partir daí não voltei mais a trabalhar com carteira assinada. Antes eu trabalhava com carteira assinada, mesmo no Ministério do Trabalho, porque era CLT. Depois disso trabalhei como gerente de cosméticos da Pierre Alexander, tive loja de roupas e fiz outros trabalhos. Tive uma empresa de fotografia, trabalhei tirando fotos. Trabalhei no Mosqueteiro, a churrascaria do Grêmio, onde conheci todos os jogadores do time e outros que vinham de fora. Trabalhei no bar Sgt. Peppers tirando fotografia. Eu tinha sete filhos e tinha que sustentá-los e também ao meu marido, que não trabalhava. Fui mal interpretada, pensaram mal de mim só porque eu ia naquele lugar tirar fotografias. Às vezes meu marido ia comigo. Ele ficava no carro com meu nenê. Tive dois nenês trabalhando lá. Eu dava de mamar pra o nenê nos intervalos, porque ele era pequeninho. No Sgt. Peppers conheci os presidentes Bush e Clinton, o príncipe da Suécia, e o príncipe Andrews. Conheci embaixadores e cônsules de vários países, conheci pessoas muito importantes que hoje estão me ajudando nessa missão divina de poder entrar em contato com o mundo. (N.R. Um dia após a entrevista Elvira contatou o repórter e pediu para retificar: ela teria conhecido George Bush antes do Sgt. Peppers)

ZONA SUL - Como você conheceu o seu marido?
ELVIRA – Ele era da igreja. Mas não casei com a pessoa a quem eu amava, mas com a que me pediu em casamento. Ele era missionário mórmon e foi quem me levou pra São Paulo. Morei quatro anos lá. Quando voltei para Porto Alegre, me separei dele e casei de novo. Esse segundo eu já conhecia, era uma pessoa de quem eu gostava muito, era meu amigo pessoal, de confidência. Só que minha mãe se meteu, não queria que eu ficasse com ele. Ele não fazia a vontade dela. Um dia ela fez algo de mau pra mim e ele nocauteou minha mãe. Ela ficou mais brava ainda, colocou todo mundo contra ele. Meu marido chegou a fazer com meus filhos o que tinha feito com minha mãe. Isso fez com que eu me separasse dele. Para que não se tornasse agressivo com os filhos. A mim ele nunca agrediu, sempre me tratou muito bem. Tenho o poder de controlar as situações. Às vezes eu me torno um pouco agressiva no falar, porque certas pessoas merecem. Eu sou a justiça divina e tenho a missão de dar a cada um o que merece.

ZONA SUL – Os sete filhos são de um só marido?
ELVIRA – Tenho sete arcanjos: Rafael, Rachel, Daniel, Gabriel, Yoshabel, Ishmael e Michael, todos com nome de anjo. Quatro do primeiro casamento e três do segundo. O último perdi com sete meses, no dia 6 de março de 2000. Era a data prevista para o nascimento do Cristo-Rei. Como ele morreu na minha barriga, eu me consagrei. Ele tinha uma má formação cardíaca e os médicos disseram que ele iria passar por uma cirurgia daquelas com uma chance em mil para sobreviver, se nascesse vivo. Então eu disse: Senhor se é para o meu filho nascer, abrir o peito, fazer uma cirurgia naquele coraçãozinho e depois de cinco minutos morrer, prefiro que ele morra na minha barriga, onde ele não vai sofrer tanto. Eu sofro todas as dores por ele. Eu carrego todo o fardo dele, do Cristo. Então ele morreu na minha barriga e eu estou padecendo as dores e o sofrimento dele. Por isso eu tenho sofrido certas coisas, certas afrontas, porque eu me consagrei para sofrer por ele.

ZONA SUL - Que tipo de afronta você está recebendo?
ELVIRA – Eu fui perseguida de todas as formas. Fui caluniada, me tiraram tudo o que eu tinha... No tempo em que eu trabalhava, ganhava bem, uma média de cinco mil reais por mês, tirando fotografias. Eu tirava 400, 420 fotos por mês, e vendia em média a 10 reais. Eu ajudava às pessoas. Sempre ensinei isso para meus filhos. A partir de 2000 foi me dada a espada da justiça. Eu passei a ter que fazer justiça, a dar a cada um aquilo que a pessoa merece. Tenho memória fotográfica, o que leio, gravo. Escrevo há 30 anos o meu diário, e há um ano escrevo para as Nações Unidas, porque fui nomeada pela ONU. Pedi que a ONU publicasse como lei meus relatórios. Meu diário também será publicado. Escrevo desde 1977, desde que me batizei na igreja mórmon. Entendi que eu deveria registrar as coisas diárias e fazer metas para avaliar o meu progresso pessoal. Compreendi que deveria estudar tudo em todas as áreas para saber de todas as coisas. Não adianta eu só saber uma coisa e não saber o resto. Sei em todas as áreas todos os assuntos. Estudei português, matemática, inglês, um pouco de francês, um pouco de hebraico e um pouco de espanhol. Italiano meu pai falava de berço.

ZONA SUL – Por que você deixou a fotografia, já que estava dando tão certo?
ELVIRA – Antes de sair para trabalhar, eu orava com a minha família. Todos os dias nós líamos a Bíblia, um capítulo cada um. Em junho de 1999 fiz uma oração pedindo para estar preparada para a vinda de Cristo. Eu acreditava que ele viria para destruir os iníquos e salvar e resgatar os bons. Nessa minha oração fui ouvida. A partir dali fui perseguida no trabalho. Eu queria saber o porquê. Jejuei um ano para saber a resposta. Visualizei no meu trabalho um tipo de agressão, de jugo, de controle, de manipulação das pessoas. Comecei a observar e vi que eles queriam que eu fizesse algo, mas quando eu achava que era algo errado, eu resistia. Nesse ponto não cedi. Mas comecei a verificar as coisas. Então eu disse: e agora Senhor, o que é que eu faço? Eu já estou orando, me preparando para a vinda de Cristo, estou vendo agressão, estou vendo as pessoas sendo manipuladas. O que o senhor quer que eu faça? Como solto as ligaduras do jugo? Então recebi outra revelação. Êxodos 7-1 diz assim. “Mariza eu te ponho como Deus sobre este povo e te dou um porta-voz, um profeta, e tu vais lá e vais libertar esse povo da escravidão, com sinais e maravilhas, como libertei meu povo do Egito, te darei poder pra isso”. Então, fui chamada, como Moisés foi chamado. O Senhor queria que eu escrevesse uma carta e dissesse para o dono do estabelecimento: “eu, Deus, estou no meio de vós, vocês não podem ver no momento, mas no futuro Me vereis, se não deixarem vossos atos, vossas abominações, assassínios, adultérios, pilhagens, roubos e tal tal tal, uma lista enorme, eu estou com a minha espada desembainhada sobre vossas cabeças, e Eu vos destruirei”. Escrevi o que o Senhor mandou e fiquei sem sabe qual nome assinar. Coloquei Mariza Zanella, profetiza de Jesus Cristo.

ZONA SUL – Deve ter provocado a maior confusão...
ELVIRA – Dobrei o bilhete, chamei um dos garçons, o que achava mais afligido de todos, e disse assim: olha, vá lá e entrega pro fulano. E o fulano foi lá e entregou para o dono. Não sabia nem o que estava escrito. E o dono, disse que depois se entendia comigo. Cheguei no outro dia para trabalhar, sinceramente, morrendo de medo. O que ele vai fazer comigo aqui dentro? Não falaram nada. A única coisa que ouvi quando passei foi “olha, Jesus Cristo está aqui, está conosco”. Segundo dia, terceiro dia e nada. Chegou um dia em que as coisas pioraram. Começaram a me cercar, queriam ouvir mais, mas eu estava receosa. No início da minha carreira de profetisa não sabia o que dizer, não sabia como agir. Eu queria poderes para poder explicar praquela gente. Eu via que eles estavam de um jeito que eu não compreendia ainda. Fui católica 18 anos e 26 anos mórmon, crente, né? Como que eu ajo com essas pessoas? Eu ouvia falar dessas coisas de batuque, e pensava: essa gente deve estar embatucada. Eles devem estar com espíritos, como eu ajo? Então pedi poder, orei, supliquei por poder do alto. E a minha benção patriarcal mórmon dizia que poderia manipular os poderes do céu e os poderes da terra. Então eu orei e senti alguém colocar as mãos na minha cabeça e passar o poder como um raio. Eu tremi, eu estava dirigindo meu carro, indo para o trabalho. E comecei a tremer, sentindo aquele poder.

ZONA SUL – E como esse poder se manifestou?
ELVIRA - Eu dizia: eu expulso os demônios de fulano de tal. E fulano ficava bom, mudava o rosto, a fisionomia, mudava tudo. Comecei a expulsar os demônios de todo mundo. Foi o primeiro passo que dei. Então notei que as coisas mudaram. No trabalho não gostaram, porque eu estraguei o ponto deles. Eles conspurcavam as pessoas para fazer certas coisas e eu impedia e mandava fazer o que eu queria. Um dia o gerente chegou pra mim e disse que queria falar comigo. Eu pensei na hora: ele vai me mandar embora. O gerente disse que se eu não parasse de jejuar - porque eu estava de jejum e eles viam que eu tinha o poder de chegar e mudar tudo – me mandariam embora. Então pensei: antes que me mandem, eu vou embora. Perguntei quem estava me mandado embora. O gerente disse que era o dono. Que o motivo era eu estar passando bilhetinhos pros funcionários. Respondi que, como mórmon, eu estava transmitindo mensagens para eles. Mas na verdade eu ia além. Escrevia outras coisas, tipo “fica firme, confia que as coisas vão dar certo, eu estou resolvendo a situação”... Fazia-os confiarem em mim. Quando as coisas começaram a ser resolvidas, saí.

ZONA SUL – Qual teria sido o motivo verdadeiro para sua saída da empresa?
ELVIRA – É difícil definir. Eu trabalhava no Mosqueteiro e no Sgt.Peppers e morava em Santo Antonio. Eu tinha que passar por dois cemitérios para ir ao Mosqueteiro. No início, ia a pé, porque não tinha carro. Depois de três anos, já ganhava bem e tinha carro. Então resolvi passar pelo cemitério e parar lá. Parei o carro e fiz minha oração. Invoquei todos os poderes que podia invocar. Quando saí, os espíritos israelitas foram comigo. Aí foi que se deu a situação de eu receber todos esses poderes de Israel, de Moisés e tudo. Quando eu ainda trabalhava, invocava os poderes da Bíblia e acontecia de pegar fogo na cozinha, pegar fogo no palco, de baterem os carros na porta... Certo dia, depois que eu pedi demissão, voltei lá. Queria voltar a trabalhar. Como eu poderia ensinar os empregados estando fora? Eu tinha os endereços deles, mas não podia procurá-los sozinha. Eu estava afastada da igreja mórmon. Mas não me deixaram nem entrar. Tive que invocar poderes para poder entrar. Um dia consegui. Lá dentro, fui ao toalete e vi uma mulher chorando. Perguntei o que tinha acontecido. Ela respondeu que alguém de sua família tinha ido embora. Falei para ela não ligar, que tudo ia dar certo, e tal. E saí. Só que ela contou para alguém, e esse alguém me abordou: o que você disse pra fulana que ela está chorando? Expliquei que só queria consolá-la. O fulano disse que ela estava dizendo que eu tinha falado que o filho dela ia morrer. Neguei que tivesse dito isso. Contaram para o marido dela e o homem veio tirando todo mundo da frente e se grudou no meu pescoço.

ZONA SUL – Qual sua reação?
ELVIRA – Fiquei parada, em pé. Só fechei os olhos e disse: Pai. No mesmo instante, aquele homem grudou no meu pescoço e ficou paralisado por uns 3 ou 4 minutos. Foram necessários seis homens pra tirar ele de mim. Cada um que botava a mão nele, ficava paralisado e grudado também. Quando tiraram ele de cima de mim, abri os olhos. O cara me chamou de bruxa, de vadia. Olhei pra ele, só olhei, e levantei a minha mão. Ele baixou os olhos, não disse uma palavra e saiu. Quando chegou perto da porta, disseram pra ele vir me pegar de novo. Ele veio até metade do caminho e voltou. Perguntaram por que. Ele respondeu: “porque ela é o Pai. Não posso pegá-la, é o pai”. Pra encurtar a história, nunca mais me deixaram voltar lá dentro.

ZONA SUL – A partir daí, o que você fez?
ELVIRA - Fui embora, comecei a orar, a jejuar, a ler a Bíblia e recebi muitas revelações. Fui a pé até o mar. Tenho o poder de dizer pro mar: levanta. E ele levanta ondas de oito metros de altura. Digo pro mar: recua pra eu passar. Ele recua e eu ando dentro do seu leito. O mar faz um caminho limpo pra mim, como fez para Moisés. Fui filmada por um satélite russo e um da Nasa andando no leito do mar. Por causa disso me nomearam bastante procuradora da ONU. Constataram o poder que eu tinha e tudo o mais. Também consigo me comunicar telepaticamente. Aqui em Porto Alegre, o Senhor me mandou até o templo mórmon, no bairro Iguatemi. No meio do caminho, o carro parou. Caía uma chuva enorme e eu ouvi aquela voz: “sai do carro e põe as mãos pro céu”. Eu respondia que naquela chuva não sairia do carro. Então passou um carro da Brigada (a Polícia Militar no Rio Grande do Sul). “O que a senhora está fazendo no meio da rua?” Expliquei que o carro tinha parado e eles me ajudaram a estacionar o carro no acostamento. Daí criei coragem para sair do carro e colocar as mãos pra cima. Só que eu não olhava pra cima porque a chuva era muito forte. Meia hora depois, olhei pra cima. Quando olhei, caiu nos meus olhos muito pingo d’água. Então vi uma nave imensa, acho que tinha uns 5 quilômetros de comprimento, porque ela estava acima das nuvens. De vez em quando as nuvens abriam e apareciam os símbolos do zodíaco embaixo da nave. O Senhor então me disse que a gente vai pro céu de nave espacial. Não é como as pessoas pensam, que morre e vai o espírito. Temos que cuidar do nosso corpo para que um dia ele possa ser elevado ao céu como no filme Cocoon. O corpo sobe em um raio de luz. Mas para isso a pessoa não pode ter pecados. Se tem, ela não sobe. Por isso temos que ir ao mar. Ser provado, testado, limpo das trevas para poder flutuar nesse raio de luz e ser levado para povoar outros mundos.

ZONA SUL – Explique essa roupa que você usa.
ELVIRA – Está em Apocalipse assim: “aquele que vencer herdará todas as coisas, concederei que se vista de branco e se assente comigo no meu trono, e darei poder sobre as nações e as regerá com vara de ferro, e lhe darei um novo nome”. Então me vesti de branco e também tive que me vestir de ouro, porque eu sou também Nossa Senhora do Magnífico Esplendor, Onipotente Deus Senhor dos Exércitos, Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Este é o meu memorial de geração em geração. Amém. Significa que eu tive que me vestir de ouro porque em Brasília tem um palácio chamado Palácio Esplanada do Magnífico Esplendor, construído para mim. Juscelino Kubitschek construiu Brasília sob inspiração. Nasci em 1958, quando JK começou a receber as revelações para a construção de Brasília. Eu devo governar o Brasil dessa época em diante. Por isso eu sou o Cristo-Rei, o monarca. Por isso está na Constituição de 1988, nas disposições transitórias, no artigo 2º, que deverá haver um plebiscito em 7 de setembro de 93, para decidir se o Brasil continuará sendo uma república ou voltará a ser monarquia.

ZONA SUL – E essas luvas que você usa?
ELVIRA – Uso luvas brancas porque eu fui nomeada chefe das Nações Unidas. E também porque eu feri as minhas mãos no mar, por andar no sol, meu rosto também ficou muito envelhecido por causa do sol, da maresia, do vento. Minhas mãos ficaram manchadas. Também uso um símbolo nas mãos que é o símbolo que eu tenho que dar para as pessoas poderem ser elevadas ao céu. Também tenho um astigma, um sinal bem no centro da mão. Uma marca de Cristo. Tenho sete sinais no corpo. Triângulo, compasso, bússola, sinal da balança e sinal da cruz, que são sinais da maçonaria. Sou o grão-mestre da maçonaria, o arquiteto do universo. O frontal na testa é para lembrar de orar. O filactério enrolado na mão direita é o meu terço. Trago uma pequena bíblia aqui sobre o peito. Além disso, uso a faixa de Israel, porque eu sou o Onipotente Senhor Deus dos Exércitos, como te disse. E uso a estrela de Davi, porque sou herdeira de Davi e de Salomão.

ZONA SUL – Deixe uma mensagem para quem ler essa entrevista.
ELVIRA – Minha missão é em âmbito universal. Eu sou a Redentora Suprema da Criação, eu sou Deus, Senhor, Criador, Cabeça, o Primeiro. Como a Mãe do Céu, como Nossa Senhora da igreja católica, eu reino. Meu reino é sempre. Mandei meu filho Jesus Cristo, que é o filho que eu perdi, o Michael, nascer há dois mil anos atrás, porque ele não podia nascer nessa época. Queriam fazer com ele o que fizeram comigo. Minha missão é que todos se arrependam de seus caminhos errados da vida e se batizem no meu nome, Elvira Mariza Zanella, o Cristo. Se fizerem isso terão a remissão dos seus pecados. Mesmo que sejam vermelhos como escarlate, se tornarão brancos como a neve. Eu esquecerei dos seus pecados, os perdoarei. Para isso devem ser leais, fiéis e obedientes a mim, segundo juramento.

Um comentário:

  1. Essa mulher acabou de sair aqui do foro solicitou processos dela e estava usando uma coroa e dizendo q salvaria a raça humana. Kkkk

    ResponderExcluir

Obrigado por visitar a página do Zona Sul. Seu comentário, crítica ou sugestão será muito bem vindo.