sábado, 30 de abril de 2005

Entrevista: Mirabô Dantas

MIRABÔ 40 ANOS: A QUEM INTERESSAR POSSA

O compositor potiguar Mirabeaux Dantas Filho, apesar de ter nascido em Areia Branca, é
descendente da família Dantas, de Jardim do Seridó (RN). Entre os parentes ilustres, destacam-se Tonheca Dantas e Felinto Lúcio Dantas. Conhecido no meio artístico como Mirabô Dantas, o entrevistado do mês está comemorando 40 anos de música com o lançamento de seu primeiro CD e de um livro de histórias autobiográficas. Mirabô foi gravado por artistas como Terezinha de Jesus, Elba Ramalho e Lecy Brandão. Tem parcerias com Capinam, José Nêumane Pinto e Maurício Tapajós. Também é responsável direto pela Praia dos Artistas hoje levar este nome.

No início dos anos 90 do século passado, fui exercer minha profissão de jornalista na Fundação José Augusto, órgão oficial estadual de fomento cultural do Rio Grande do Norte. Lembro com carinho das tardes que dividi naquela repartição pública com personalidades da cultura potiguar como o cantor e compositor Babal, o artista de teatro Júnio Santos (do grupo Alegria, Alegria) e o poeta Manoel Fernandes Volonté. Foi em uma dessas ocasiões que conheci o compositor potiguar Mirabô Dantas, parceiro de poetas que fazem parte da história da MPB como José Nêumane Pinto, Capinam e Olga Savary. No começo de março deste ano, o jornalista Costa Júnior me telefonou informando que tinha encontrado Mirabô em Ponta Negra. Depois de algumas tentativas, consegui o número do seu telefone. Em uma manhã de domingo, liguei para Mirabô, que estava em Areia Branca. O resultado você confere a partir de agora. (Roberto Homem)

ZONA SUL – Fale um pouco sobre sua infância e conte de onde surgiu esta vocação para a música. Alguns dos seus familiares tinham ligações com a cultura?
MIRABÔ – A minha família, Dantas, é de Jardim do Seridó, do sertão potiguar. Essa coisa de música já vem de longe, vem desde Tonheca Dantas. Meu pai veio para Areia Branca com 16 anos e montou a banda de música da cidade, que hoje leva o seu nome. Eu nasci em Areia Branca. Meu pai mudou-se já sabendo música. Ele era trombonista. Na minha família, a música era passada de pai pra filho. Eu ouvia meu pai tocar trombone em casa. A minha relação com a música vem daí. O nome do meu pai é Mirabeaux Dantas. Eu sou Mirabeaux Dantas Filho. Em francês mesmo. Wodem Madruga foi quem aportuguesou o nome, quando foi escrever sobre mim em uma matéria. Aí eu resolvi adotar o nome artístico, até porque já tinha um Mirabeau músico que era casado com Carmem Costa. Mas meu nome é Mirabeaux, com x no final.
ZONA SUL – Além da música, você se interessa por outra manifestação artística?
MIRABÔ – Quando pequeno, fui muito a cinema. Assisti, na infância, quase todas as chanchadas da Atlântida. Oscarito, Grande Otelo e Zé Trindade eu conheço de costas. Por causa dessa influência de música de meu pai - e dos filmes que assisti, anos depois - fiz duas trilhas sonoras para cinema. Em 1980, inclusive, ganhei o prêmio do I Festival de Cinema de Natal, com a trilha sonora para o filme "Boi de Prata". Quando completei 14, 15 anos, fui embora para Natal. Já levava na bagagem muita influência: meu pai músico e as emissoras da cidade tocando Luiz Gonzaga, Núbia Lafayette e outros artistas locais. Também tinha a influência do cinema. Assisti aos grandes filmes da Atlântida, mas vi também grandes filmes americanos, filmes épicos e de faroeste. A música era uma coisa que me fascinava muito na tela. Aquela telona imensa com uma música bonita. Quando cheguei a Natal, continuei tocando violão e passei também a compor.
ZONA SUL – Além de Luiz Gonzaga e Núbia Lafayette, o que você costumava ouvir quando ainda morava em Areia Branca? Quais seus ídolos da época e de quem sofreu influência musical?
MIRABÔ – O que tocasse no rádio eu estava ouvindo. Silvio Caldas, Chico Alves, Augusto Calheiros... Ouvia mais ou menos isso. Outro que eu acompanhei muito foi Gordurinha. Mas quando cheguei a Natal, com 15 anos, já passei a curtir Bossa Nova, me sofistiquei. Enquanto o pessoal ouvia uma música meio moda, eu estava entrando para o lado da Bossa Nova, tava ouvindo João Gilberto. Passei a me interessar por Edu Lobo e Capinam, Tom Jobim e Vinicius... Fui entrando pra esse lado até que, quando veio 1968, eu já estava Tropicalista. Passei a usar guitarra nas minhas músicas, em Natal, ao mesmo tempo em que Caetano estava usando em São Paulo. Fui para Natal estudar. Morei na casa da minha tia. Natal era uma província, a gente andava de noite a pé na rua. Naquela época, eu desenhava tudo que era artista de filme que eu via. Então comecei a freqüentar galerias de arte em Natal. Acabamos criando um grupo ligado à pintura, à música e ao vídeo. Tudo o que rolava de arte, a gente chegava junto. Éramos eu, Dailor Varela e Moacy Cirne, que era um pouco mais velho e mexia com quadrinhos. Íamos ao Cinema de Arte de Natal ver Godard e Glauber Rocha. Com 17 anos fui caindo nesse rolo compressor. Foi muita informação boa para mim. Daí foi quando vi que Natal estava pequena demais e me mudei para São Paulo.
ZONA SUL – Compor, tocar ou cantar? O que você prefere? Qual dessas manifestações artísticas veio primeiro? Como foi o ingresso no cenário musical?
MIRABÔ – Cantar veio primeiro. Com 14 anos, participei de um trio em Areia Branca. Um trio mesmo, tipo Trio Irakitan. Eu fazia a segunda voz. Foi com essa idade também que comecei a aprender a tocar violão. Quando fui para Natal, já tocava os primeiros acordes e tinha essa experiência no trio. Então, dessa mistura das músicas que eu cantava no trio, das que eu escutava através do meu pai e dos primeiros acordes que fui aprendendo, junto com os elementos de Bossa Nova, foi que comecei a compor. Foi uma cadeia de coisas. Compor é o que eu mais faço. Cantar, eu canto por necessidade, para mostrar minhas músicas, embora eu tenha consciência de que tenho uma voz razoável e não sou desafinado. Mas nunca me arvorei a ser um Djavan, um Geraldo Azevedo, os meus amigos que enveredaram nessa carreira de cantor e compositor-cantor. Eu sempre preferi compor.
ZONA SUL – Junto com Terezinha de Jesus, Márcio Tarcino e Expedito você integrou o Grupo Opção. Depois de algumas apresentações em Natal e em outras cidades nordestinas, vocês seguiram para o sul maravilha. Lembre como foram esses tempos... No Rio você morou com Zé Ramalho?
MIRABÔ – Durante o período em que morei no Rio, fiz algumas trilhas sonoras para teatro e duas para cinema. Além disso, 16 músicas que compus foram gravadas em disco. Mas, voltando no tempo, quando morei em Natal, dos 15 aos 18, participei do grupo Opção junto com Dailor Varela e os outros que você citou. A partir daí foi que as coisas aconteceram. Antes de me mudar para o Rio, morei em São Paulo durante um ano e meio, mas não me adaptei à cidade. Quando cheguei ao Rio, Terezinha de Jesus já estava por lá. Eu era casado com Odaíres, a irmã de Terezinha. Quando estávamos ensaiando para trabalhar juntos novamente, Terezinha começou a gravar pela CBS. Nos cinco discos que ela lançou, em cada um colocou uma música minha. Todas feitas em parceria com Capinam. Quando cheguei ao Rio já estavam lá Zé e Elba Ramalho, Terezinha, Amelinha e Fagner, cada um morando em um lugar diferente. Mas a coisa não era muito fixa, um dia se morava em um lugar, outro dia em outro. O fato é que a gente se encontrava todos os dias e cada um freqüentava a casa do outro. Éramos todos duros, mas juntávamos alguma grana fazendo shows. Combinávamos eu, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Moraes Moreira, por exemplo, e fazíamos um show não sei onde. Essa história de que morei com Zé Ramalho pode ter surgido porque a casa do outro era praticamente a extensão da nossa casa. Quando eu não estava na casa de Zé, ele estava na minha casa. Eu também ficava muito na casa de Geraldo Azevedo, que morava com a atriz Neila Tavares, mulher de Paulo César Pereio. Era o tempo da dureza. Todo mundo se encontrava e todo mundo visitava a casa do outro. Depois, cada um foi fazendo seus discos e eu, como compositor, fui ficando meio a margem. Entrei para a luta sindical, fui ser diretor do Sindicato dos Músicos. Passei um tempo como funcionário do Sindicato, depois ingressei na diretoria. As ocupações no sindicato me fizeram perder um pouco o contato com eles.
ZONA SUL – O seu repertório inclui parcerias com diversos nomes importantes da música popular brasileira e suas músicas foram gravadas também por outro leque de estrelas da MPB. Como esses contatos se estabeleceram e quais desses encontros musicais você destacaria?
MIRABÔ – Cada um dos meus parceiros tem um trabalho diferente do outro. Todos eles são bons e eu me esforcei também para fazer o meu melhor. Por isso, acho que posso repetir o que Zé Ramalho costumava dizer: eu não me envergonho de nenhuma das minhas composições. Além de Terezinha de Jesus, Leci Brandão, Quinteto Violado, Elba Ramalho, Maurício Tapajós e Bimba (do Quarteto em Cy), também gravaram músicas minhas. Também tive muitos parceiros ao longo da vida, entre eles Capinam, José Nêumane Pinto, Maurício Tapajós, Abel Silva e Olga Savary.
ZONA SUL – De todas as suas composições que tive oportunidade de ouvir, a que mais me agrada é "A quem interessar possa", parceria sua com José Nêumane Pinto. Para mim é uma canção deslumbrante...
MIRABÔ – Essa música foi gravada recentemente em Natal e achei que a gravação deixou a música mais bonita do que ela já é. Fantástica. Só voz e piano. A cantora é Raquel Groisman. Ela está terminando seu CD. Eu ouvi ainda em estúdio. A letra dessa música é de Nêumane, mas também tem um trecho que foi retirado de um cordel de um cara chamado Leandro Gomes de Barros. Só que, quando essa música foi gravada, saiu nos créditos como se fosse de José Bernardo da Silva, que é o cara que mantém os direitos autorais do cordel. Mas eu estou corrigindo essa injustiça. O título do cordel é "O príncipe e a fada". Ele diz no final: "Mil, cento e vinte anos eu vivi no abandono / Porém quem ama tem força / Vence fome, sede e sono / O amor nasce no mundo / Já destinado a seu dono...". Esse pedaço, a gente tirou do cordel. Agora estou dando o crédito. Na gravação original dessa música, eu canto e o coro é feito por Fagner e Terezinha de Jesus.
ZONA SUL – Você hospedou em sua casa, na Praia dos Artistas, ícones da MPB como Alceu Valença, Raimundo Fagner e Gonzaguinha...
MIRABÔ – Hospedei muita gente ligada à música. Todo mundo visitou essa minha casa. A Praia dos Artistas ganhou esse nome por causa daquele pedaço ali, onde circulou muita gente lá por casa. Essa discussão está até em Natal agora, estão perguntando o porquê do nome Praia dos Artistas. Eu não digo que foi por minha causa, mas posso afirmar que foi exatamente pelo fato de vários artistas terem passado por minha casa na Ladeira do Sol. Já vi em algum roteiro turístico de Natal dizer que era porque os surfistas faziam pose de artista nas pranchas. Eu fico pensando: isso é uma brincadeira. As pessoas que falam isso não conheceram a Natal da época. O meu endereço era Ladeira do Sol, nº 13, Praia do Meio. Não era Praia dos Artistas, quando fui morar lá. O endereço era tão poético que Gonzaguinha perguntou se era endereço de artista ou se era real.
ZONA SUL - Como foi o show chamado "Fagner e Mirabô em concerto", que contou com a participação de Odaíres, sua ex-mulher e irmã de Terezinha de Jesus? Vi na Internet o texto de um cara que dizia que se orgulhava de duas coisas na vida: uma era ter assistido a esse seu show com Fagner, e a outra era também ter estado na platéia de uma das apresentações de Gal a todo vapor.
MIRABÔ – Você encontrou isso na Internet? Que é isso! É um exagero! Mas foi bonito esse show. Foi no Alberto Maranhão. Naquela época não existiam empresas de produção de espetáculos, então eu produzia tanto os meus shows quanto de outros artistas que vinham se apresentar na cidade. Eu hospedava na minha casa e cantava junto com eles. Alugava teatro, fazia a mídia e eu mesmo divulgava. Então, quando o artista saía da cidade ia com um bom cachê, porque eu não era dono de nenhuma empresa, fazia pela experiência que já tinha por organizar meus shows e pela amizade com eles. No final, eu cobrava apenas o que tinha investido com gasolina e outras despesas do tipo. O resto era do artista, e a gente seguia estrada. É tanto que todos se tornaram amigos meus. Na época eu já era compositor. Eu namorava a Odaíres, que era uma pessoa que cantava bem e a gente tinha se aproximado por causa da música. Ela participou do show com Fagner, como participava praticamente da minha vida musical. Foi muito bonito o show. Eu devia ter gravado, seria uma lembrança boa.
ZONA SUL – Quais as suas principais participações em disco? Por que Mirabô ainda está inédito na MPB?
MIRABÔ – Como cantor, as músicas que gravei estão no CD independente lançado por Terezinha de Jesus, chamado "Mares Potiguares". Eu canto duas músicas: "Na selva da cidade", parceria minha com Jaumir Andrade e "A quem interessar possa". Foi só isso na vida que eu gravei. A minha música comigo está inédita. Agora eu vou gravar tudo. O problema é que cheguei numa época no Rio que todo mundo estava entrando em gravadora. Para complicar, logo em seguida comecei uma luta dentro de Sindicato dos Artistas e, por isso, achei que não devia me entregar tanto às gravadoras. Na época eles queriam ser os donos da gente. Ficávamos com 3% do faturamento do disco e o resto era deles. Justificavam que cobravam 97% porque pagavam os músicos, davam estúdio, faziam divulgação, davam tudo... Afinal de contas, o artista só entrava com a alma. Então fui ficando fora das gravadoras. Quando passei para a diretoria do Sindicato, comecei a cobrar das grandes emissoras e das televisões melhorias para a categoria. Fiquei na linha de frente daquilo e acabei renegado pelas emissoras de TV e de rádio. Mas confesso que eu mesmo também fiquei meio à margem daquilo. A culpa foi dos dois lados. Assumo que fiquei meio arisco nisso tudo. Quanto às minhas participações em disco, toquei violão em um disco de Clara Sandroni. Participei junto com Manasses e Mingo Araújo. A faixa no disco de Clara Sandroni é uma música de João do Vale, "Na asa do vento". O negócio surgiu em uma apresentação que fiz Facha (Faculdade Integradas Hélio Alonso), no Rio de Janeiro. Clara entrou depois de mim. Eu fazia uma janela pra ela. No camarim, depois de ficar me olhando tocar ela disse: "no dia em que eu gravar, quero gravar essa música com você me acompanhando". Eu topei na hora. Dois anos depois, ela me ligou dizendo que me queria tocando em seu disco. Também participei do último disco de Babal, chamado "Escritos", onde canto com ele a canção "Janaína". Também cantei em um disco de Jarlene Maria. Participei de alguns coros, como por exemplo, um com Alceu Valença e Geraldo Azevedo, no primeiro disco de Zé Ramalho. A música foi Avohai, mas na hora da mixagem, optaram por colocar apenas o coro feito pelas mulheres, que tinha, entre outras, Elba e Terezinha. Recentemente fiz participação em um disco de um cantor evangélico que mora em Brasília e trabalha no Ministério da Justiça. Ele é meu sobrinho. Cantei uma música bem interessante. Mas não conto como trabalho profissional, porque ele vai trabalhar apenas nas igrejas que participa.
ZONA SUL – Qual de suas composições mais lhe agrada e qual delas alcançou maior repercussão? Conte algumas histórias interessantes dessa vida de artista...
MIRABÔ – Tenho umas músicas inéditas que me agradam muito, mas "A quem interessar
possa" eu não posso deixar de cantar quando vou fazer alguma apresentação. Engraçado que, em Natal, onde chego, as pessoas falam nisso. Eu não vivo na mídia, não tenho meu nome divulgado muito, mas as pessoas falam dessa música. Tem gente que nem me conhece. A música foi gravada por mim num compacto que fiz com Fagner e Terezinha. Fagner participa fazendo coro nessa gravação de "A quem interessar possa", comigo e Terezinha. Tem também uma gravação com Telma Soares, lançada na França, pela CBS. A produção é de Fagner. Ela foi quem primeiro gravou Nélson Cavaquinho no Brasil, na década de 1960, apresentada por Vinicius de Morais. Foi embora para Paris, quando voltou, na década de 1980, Fagner produziu um disco dela chamado "Joana Flor das Alagoas", que é título de uma música de Elomar. Nesse disco tem "A quem interessar possa". Ela lançou na França. Conheci um cara que morava lá. Ele me ligou dizendo: "rapaz, estou ouvindo sua música aqui todo o dia, tem uma emissora aqui que das 3 às 5 da tarde só toca música latina, e a tua está incluída". Essa é a música que todo mundo quer ouvir ainda. Eu gravei em 1980. Essa foi a minha música de maior repercussão.
ZONA SUL – Como foi seu período como secretário de Cultura de Areia Branca?
MIRABÔ – Fui secretário em 1996. Passei um ano e três meses. A experiência não foi muito agradável. Eu estava chegando em Areia Branca e fui convidado pelo prefeito que tinha sido eleito recentemente. Eu topei, já que ficaria um tempo na cidade, mas pedi que ele me permitisse criar a Fundação Areia Branca de Cultura. Expliquei que ficava mais fácil eu trabalhar em uma fundação do que em uma secretária que não tinha verba de nada. Ele concordou, criamos a fundação, que existe até hoje. Mas na hora em que eu quis implantar a fundação ele tinha outras prioridades. Não tinha um prédio, não tinha computadores... Passei um ano e três meses e senti que, para ficar sendo pago pelo município e as pessoas na cidade com uma certa ansiedade e perspectiva de que eu fosse fazer alguma coisa pelos contatos que eu tinha fora, achei que ia me desgastar muito e seria um negócio inútil. Terminei entregando o cargo.
ZONA SUL – Depois de uma temporada em Areia Branca, você está voltando a residir em Natal. Muitos planos? Como está o andamento do livro que você está finalizando?
MIRABÔ – Escrevi umas histórias, mas não no formato de autobiografia. Registrei fatos que acho que o pessoal deve saber. Têm história com João do Vale, com Paulinho da Viola, com o ex-jogador de futebol Afonsinho, Fagner... Com a vinda dessas pessoas pra cá. Tudo em uma época de repressão muito grande. Eu conto como documento. Só que estou dentro delas, em todas. Por isso a coisa fica meio autobiográfica. Estou esperando Capinam aqui em Natal para escrever a apresentação. Pela amizade que nós temos, pelo fato de sermos parceiros e pela figura que ele é. O livro está tudo pronto na minha mão esperando só a apresentação de Capinam. Em junho eu devo estar fazendo o lançamento tanto do livro quanto do disco.
ZONA SUL – E o CD? O que podemos esperar dele?
MIRABÔ - Esse disco que estou fazendo agora reúne músicas com Nêumane, com Capinam, com Abel Silva e com alguns compositores aqui do Rio Grande do Norte. Ele sairá mais ou menos na mesma época do livro, para comemorar meus 40 anos de carreira artística. O negócio foi o seguinte: escrevi essas histórias que eu vivi com Nêumane, Paulinho da Viola e outros, e completou 20 histórias. Levei esse material para Natal e mostrei para Abimael Silva, do Sebo Vermelho. Ele resolveu juntar essas histórias e lançar um livro, que tem como título "Umas histórias e outras canções". Quero começar a lançar por São Paulo e Rio, porque Nêumane está por lá, Capinam está na Bahia, Abel Silva está no Rio... Daqui para junho, vou ao Rio fazer esse lançamento. Reuni muita música que eu não tinha soltado para cantores e cantoras e guardei isso comigo. Este ano, Geraldo Azevedo veio passar uma temporada no Rio Grande do Norte. Veio fazer show para comemorar os 50 anos da Petrobras. Ele foi um dos incentivadores pra que eu gravasse o CD.

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